Presentinho de uma empresa milionária. É namoro ou amizade? A Gautama resolveu paquerar nosso senador, relator do orçamento da União e a esposa dele que (oh, surpresa) é deputada federal. O povo precisa entender que os generosos empresários acordaram um belo dia, olharam a conta bancária, viram um suntuoso saldo e decidiram gastar dinheiro à toa com a distribuição de mimos no Congresso Nacional. Que gracinha, né?
Divulgado os nomes do senador Valdir Raupp e deputada federal Marinha Raupp, ambos do PMDB, na lista de agraciados pela empresa alvo da Operação Navalha, a defesa veio de forma surpreendente: “ganhamos apenas duas canetas que ainda nem foram usadas”.
É verdade. Valdir Raupp e Marinha ganharam duas canetas e, como populistas inveterados, trataram imediatamente de levar ao povo o discurso da injustiça e perseguição política.
Pelo padrão da empresa e os cargos ocupados pelo casal Raupp convido o leitor a viajar no rico e sofisticado mundo das canetas, imaginando, é claro, que a rica Gautama não mandaria BIC a um senador e a uma deputada federal.
Vamos começar supondo que os milionários da Gautama simpatizam muito com o bigode do nosso senador e o charme da nossa deputada. Nesse caso, nada mais justo que uma Mont Blanc Pedro O Grande, com 16 esmeraldas que custa a bagatela de quase 32 mil Reais.
Ah, mas é deselegante mandar presentes iguais para o marido e a esposa. Nesse caso, a empresa pode ter dado uma Montegrappa à Marinha Raupp de aproximadamente 8 mil Reais.
Mas não é justo enviar a uma dama presente de valor tão inferior. Então, vamos imaginar que a Gautama enviou à peemedebista uma David Oscarson Seaside ou a Krone Moby Dick.
Mas cá pra nós caríssimo leitor. O orçamento da União bem que merece ter sido assinado com uma Aurora Diamont, marca usada pelo ex-presidente americano Bill Clinton e João Paulo II, com 1.919 diamantes, no valor de 2,5 milhões de Reais.
Moral da história: nem toda caneta é presentinho.
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A TOCHA E O SETOR HOTELEIRO
O secretário de esportes de Porto Velho, Emerson Castro, anunciou com imenso orgulho e felicidade que a tocha do PAN vem à capital de Rondônia. Onde será a comitiva formada por 60 pessoas vai se hospedar? E quem vai pagar a conta de tamanha babaquice?
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A FOTO DO ANO
quarta-feira, 30 de maio de 2007
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
AO MENINO DILACERADO: MINHA SINCERA VERGONHA DE SER BRASILEIRA
Mais atenta às questões locais não tinha parado para ler sobre a morte do menino arrastado em um carro na última quarta-feira no Rio. A capa da Veja despertou meu interesse. Vê-se logo que a revista não vem para debater a violência, mas alertar para a barbárie no nosso País. Com os olhos vidrados naquelas páginas que relatam o fato que chocou o Brasil (e eu, no domingo, na corrida do Jerico) não contive a tristeza. Apertei meus filhos e agradeci a Deus por não ser eu aquela mãe que chorava e pedia para que tirassem o menino do caixão. Nem dá pra imaginar que dor é essa. Mas somos obrigados a refletir: podia ter sido um de nós.
É possível que dentro de algumas semanas o caso caia no esquecimento. Nós, brasileiros, somos assim. Hoje estamos chocados, discutindo sobre sensacionalismo da imprensa, maioridade penal, ECA, Lei de Execução Penal, sistema carcerário, mas amanhã...ah, amanhã é carnaval e a vida continua. É como calar o Maracanã por um minuto e depois deixar a bola rolar. É a banalização completa de tudo o que nos envolve diretamente. Somos avisados que algo precisa ser feito, mas não fazemos absolutamente nada. Que inveja dos jovens que foram as ruas pedir diretas já, daqueles que lutaram contra a ditadura militar. Para mim, João Hélio (o menino arrastado) poderia se chamar Stuart Angel (Paulo), filho de Zuzu Angel, torturado e morto na Base Aérea do Galeão quando lutava pela democracia. Que diferença tem? Nenhuma. Ambos foram vítimas da mesma violência. Antes eram os militares, hoje são os bandidos (extra-oficiais) que ditam as regras.
E de quem é a culpa? Os intelectuais de plantão vão continuar com seus seminários para discutir o destino do Brasil. O Congresso não vai fazer sessão Extraordinária para discutir a barbárie que tomou conta das ruas. A culpa não é só do PT que está no poder ou dos partidos que fazem oposição ao Governo. A culpa é geral. Cada um tem voz e, agora, deveria lutar para ter vez. Quantas mães ainda vamos ver chorar sobre o caixão de um inocente? Hoje sai de casa com uma terrível vergonha de ser brasileira.
Tomo a liberdade de dividir algumas opiniões publicadas na revista Veja em excelente reportagem feita pelo jornalista Marcelo Bortoloti.
“Chega de explicações. Todo fenômeno de degradação social tem explicação. A queda de Roma, a ascensão de Adolf Hitler, a proliferação do mal bolchevique pelo mundo, a destruição das cidades brasileiras pelos criminosos e seus asseclas, simpatizantes – ou simplesmente cegos – na intelectualidade, na polícia e na política. O martírio público do menino João Hélio está destravando a língua de dezenas de explicadores. São os mesmos que passaram a mão na cabeça dos "meus guris" que desciam ao asfalto para subtrair um pouco do muito que os ricos tinham e, assim, sustentar a mãe no morro. Chega de romancear o criminoso, de culpar abstrações como a "violência", o "neoliberalismo", o "descaso da classe média"...
"Simbolicamente, a culpa é de quem morre. Alguns jornalistas ficaram um tanto revoltados com a polícia, que obrigou os bandidos a mostrar o rosto. Terrível ameaça à privacidade. Era só o que faltava: trucidar o menino João e ainda ser obrigado a expor a cara... Que país é este? Já não se pode mais nem arrastar uma criança pelas ruas em um automóvel e permanecer no anonimato?"
ivonete@rondoniagora.com
É possível que dentro de algumas semanas o caso caia no esquecimento. Nós, brasileiros, somos assim. Hoje estamos chocados, discutindo sobre sensacionalismo da imprensa, maioridade penal, ECA, Lei de Execução Penal, sistema carcerário, mas amanhã...ah, amanhã é carnaval e a vida continua. É como calar o Maracanã por um minuto e depois deixar a bola rolar. É a banalização completa de tudo o que nos envolve diretamente. Somos avisados que algo precisa ser feito, mas não fazemos absolutamente nada. Que inveja dos jovens que foram as ruas pedir diretas já, daqueles que lutaram contra a ditadura militar. Para mim, João Hélio (o menino arrastado) poderia se chamar Stuart Angel (Paulo), filho de Zuzu Angel, torturado e morto na Base Aérea do Galeão quando lutava pela democracia. Que diferença tem? Nenhuma. Ambos foram vítimas da mesma violência. Antes eram os militares, hoje são os bandidos (extra-oficiais) que ditam as regras.
E de quem é a culpa? Os intelectuais de plantão vão continuar com seus seminários para discutir o destino do Brasil. O Congresso não vai fazer sessão Extraordinária para discutir a barbárie que tomou conta das ruas. A culpa não é só do PT que está no poder ou dos partidos que fazem oposição ao Governo. A culpa é geral. Cada um tem voz e, agora, deveria lutar para ter vez. Quantas mães ainda vamos ver chorar sobre o caixão de um inocente? Hoje sai de casa com uma terrível vergonha de ser brasileira.
Tomo a liberdade de dividir algumas opiniões publicadas na revista Veja em excelente reportagem feita pelo jornalista Marcelo Bortoloti.
“Chega de explicações. Todo fenômeno de degradação social tem explicação. A queda de Roma, a ascensão de Adolf Hitler, a proliferação do mal bolchevique pelo mundo, a destruição das cidades brasileiras pelos criminosos e seus asseclas, simpatizantes – ou simplesmente cegos – na intelectualidade, na polícia e na política. O martírio público do menino João Hélio está destravando a língua de dezenas de explicadores. São os mesmos que passaram a mão na cabeça dos "meus guris" que desciam ao asfalto para subtrair um pouco do muito que os ricos tinham e, assim, sustentar a mãe no morro. Chega de romancear o criminoso, de culpar abstrações como a "violência", o "neoliberalismo", o "descaso da classe média"...
"Simbolicamente, a culpa é de quem morre. Alguns jornalistas ficaram um tanto revoltados com a polícia, que obrigou os bandidos a mostrar o rosto. Terrível ameaça à privacidade. Era só o que faltava: trucidar o menino João e ainda ser obrigado a expor a cara... Que país é este? Já não se pode mais nem arrastar uma criança pelas ruas em um automóvel e permanecer no anonimato?"
ivonete@rondoniagora.com
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